30 de abr de 2017

Resilience #02

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Juvia havia me deixado há pouco mais de quatro semanas. Não vou dizer que nunca pensei que ela faria isso. Eu sabia que ela faria. Tinha absoluta certeza disso, mas as circunstâncias foram surpreendentes.

Ela não estava sozinha.

Natsu Dragneel estava com ela.

No obituário consta a ingestão excessiva de antidepressivos. Os dois tiveram uma overdose.

É genial, se você parar pra pensar. Todos os dias somos praticamente obrigados a ingerir esses comprimidos. De alguma forma, eles os guardaram durante dias. Ninguém entendeu o motivo de cometerem suicídio juntos, não parecia lógico a nenhum de nós uma coisa dessas.

Laxus Dreyer – um dos monitores – os encontrou em uma das salas desativadas do complexo B. Segundo ele, era uma cena digna de Shakespeare. Natsu escorado na parede, a perna direita dobrada enquanto a outra esticada e Juvia estava encostada a ele.

E os dois tinham uma expressão serena de contentamento.

Caminhei pela instituição enquanto pensava em tudo isso... Mais uma vez.

Nunca notei nenhuma proximidade estranha entre os dois. Então, por quê?

Ao longe avistei uma cabeleira loira se encaminhando para trás de um dos prédios. Semicerrei os olhos constatando de que aquela era a pessoa que eu pensava que fosse. Automaticamente, caminhei até ela.

O uniforme preto do Instituto dava-lhe um ar sombrio. Ela tinha olheiras roxas debaixo dos olhos e um cigarro branco entre os dedos. Aí está, mais uma coisa inédita.

— Lucy? – chamei em baixo tom.

Ela sorriu.

— E aí Gray? – mais uma tragada. Ela encostou a cabeça na parede e soltou o ar pelo nariz, olhando para o céu nublado acima de nós.

— Não sabia que você fumava.

— Daria pra fazer uma lista sobre tudo o que você não sabe sobre mim, Fullbuster – Lucy me encarou por uns poucos segundos – Laxus me deu. Eram do Natsu.

Entendi de imediato o motivo daquilo.

— Me dá um?

— Você não fuma.

— Nem você.

Mais um meio sorriso carregado de tristeza.

— Parece justo – disse enquanto me estendia a caixa preta.

Eu perdi a conta de quantas vezes tinha acompanhado Natsu naquele mesmo lugar. Lembrei-me de algumas conversas que tivemos ali, na maioria das vezes sobre Lucy Heartfilia, a namorada instável dele, e a qual ele jurava um amor eterno.

Repassando tudo na minha cabeça mais uma vez, eu não achava que ele havia mentido nenhuma vez que me falara aquilo.

— Não sei que graça aquele idiota via nisso – ela comentou, jogando a bituca no chão e pisando em cima.

Depois sem nenhum aviso prévio chutou uma lata de lixo derrubando-a. E desferiu mais um chute, e depois outro, seguido de várias palavras desconexas.

Só então eu percebi que ela tinha perdido o controle.

— Lucy – chamei, enquanto ela exaustivamente continuava. Cada vez com mais raiva. Cada vez com mais força.

Instintivamente meus braços rodearam-na, bloqueando sua ação agressiva.

— Isso não vai mudar nada.

Ela se desvencilhou de mim com violência, me encarando. Seus olhos inundaram-se.

— Gray...

E Eu a abracei pela primeira vez na minha vida.

Enquanto suas mãos subiam pelas minhas costas apertando-me, lágrimas começaram a molhar minha camiseta preta.

Eu nunca tinha visto Lucy chorar antes.


E sem que eu me desse conta, eu estava chorando também.

29 de abr de 2017

Resilience #01

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"Toda vez que chove... eu lembro dela"

Enquanto os filetes de água escorriam pela enorme janela da psiquiatria, eu me lembrava da primeira vez que eu a tinha visto. Naquela época, pouca coisa me chamava a atenção. Mas seus olhos me hipnotizaram de uma maneira tão intensa quanto os buracos da minha alma.

— Gray, você está comigo?

Meus olhos caíram sobre a figura feminina atrás da enorme mesa de madeira nobre. Ela repousava as costas na cadeira aveludada enquanto me encarava com expressão puramente avaliativa.

— Onde mais eu poderia estar, senhorita Evergreen?

— Não sei, me diga você.

Minutos se passaram enquanto nossos olhos mantinham-se fixos numa batalha silenciosa e indecifrável.

— Você continua tomando a medicação?

— Sim.

— E como tem se sentido?

Eu poderia detalhar com exatidão cada sentimento que tinha passado por mim desde o dia em que ela me deixou. Desespero, angústia, ódio, raiva, tristeza... tanta coisa. Além da insuportável vontade de morrer.

— Bem.

Ela me olhou, desafiando-me. Era óbvio que sabia que eu estava mentindo.

— Os monitores relataram que você tem andado bastante com a senhorita Heartfilia - ela deu uma pausa, esperando inutilmente um comentário meu - É uma coisa positiva. Assim vocês podem se ajudar a superar a perda recente.

Eu ri. Alto. Sem humor. Indignado com a afirmativa mais absurda que eu já tinha escutado na minha vida.
Olhei pra ela, tentando esconder a desolação nas minhas palavras enquanto meu coração sangrava, em desespero.

— A morte dela... não dá pra superar...

28 de abr de 2017

Um tanto quanto inconstante...

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Hello ~
De ontem pra hoje o blog ficou fechado, e o resultado foi essa drástica mudança de layout \o/. Kaneki Ken divando horrores na vida. Fisicamente ele é meu personagem preferido ♥ ~ e o Natsu, obviamente ~ yay. Das várias coisas desconexas que eu poderia falar nessa postagem - incluindo o constante fato da minha inconstância (what?) - deixo-vos apenas a confirmação de que ultimamente minha cabeça tem sido a personificação do inferno. Isso somado ao meu estresse frequente tem me dado uma enxaqueca f***da. É, a vida não anda fácil. Apesar de as contas estarem pagas, a comida estar na mesa, eu finalmente ter começado a faculdade e tantas outras coisas positivas, eu não consigo deixar de me sentir péssima. Em um nível extremo.

Infelizmente já foi comprovado o meu desequilíbrio emocional. Na época, a minha quase internação foi um choque pra mim. Hoje eu me pergunto se teria mudado alguma coisa. Não que eu pense que ficar trinta dias trancada em um lugar sob constante vigilância psiquiátrica e sendo entupida de drogas fosse melhorar a minha vida significativamente. Mas as coisas eclodiram de uma forma muito violenta. E e eu me sinto muito inconstante em relação a tudo. Em momentos quero conversar sobre certas coisas, em outros não quero saber de nada, e ainda há aqueles momentos em que eu ignoro tudo enquanto vivo lindos sonhos dentro da minha cabeça. Parece doentio? Talvez seja.

Por sorte - e um esforço digno de aplausos - tenho hobbies que me distraem um pouco. Já não preciso ficar lendo frases motivacionais a cada dia para que o ato de viver pareça menos pesado. Ele já é. Poderia ser infinitamente pior. Minha vida não é ruim, eu é que sou. E me detesto por isso. Não levem muito em consideração essa bad sem aviso. O propósito do blog não é esse tipo de coisa, mas o nome dele é auto-explicativo. Me senti na necessidade de me abrir um pouco aqui, por inúmeros motivos. Não vai ficar esse clima deprê sempre, juro! Mas enquanto meu estado de espírito não melhora... Vamos viver um dia de cada vez. 영원한 건 절대 없어.

23 de abr de 2017

Nesses quase três meses...

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Oie gente, tudo certo?
Nao de novo, depois de quase três meses sem postar e ainda por cima ter deixado o blog meio que fechado por uns dias. Isso porque tanta coisa aconteceu que me tomou um tempo absurdo além de que, minha estrutura psicológica - que já não era lá essas coisas - foi absolutamente desintegrada por causa de acontecimentos que me abalaram pra car****. Não vou ficar comentando sobre o meu infortúnio pessoal nesse post, mas se quiser entender um pouco do que estou sentindo leia isso aqui.

Dadas as explicações, vamos ao conteúdo dessa postagem: O que tem rolado nesse meio tempo de ausência?
Para início de conversa, a faculdade vai muito bem, obrigada! Semana passada saíram as notas das provas discursivas e objetivas de SIG e Comunicação Organizacional, e mesmo ainda não tendo a média oficial, eu tenho certeza de que fechei essas duas matérias com chave de ouro! \o/. Confesso que me decepcionei um pouco com os conteúdos das provas, eu estudei tanto e no final caíram apenas os tópicos mais simples. Na realidade, as provas estavam mais fáceis que as do ensino médio. Sinistro.

Estou passando por um momento de vício extremo na série The Big Bang Theory - acho que muito possivelmente por conta da minha separação - e além disso, não tem muita coisa que tem me chamado a atenção nesse nível de entretenimento. Eu até tinha começado a ver 13 Reasons Why, mas empaquei no terceiro episódio e nem sei dizer o porquê, já que a série é boa. O único Anime que estou seguindo é Boruto: Naruto Next Generations, porque né, já que eu acompanhei o Naruto durante esses dez anos achei justo dar uma espiada nessa nova geração. Gostei da premissa tecnológica, dos personagens e claro, da treta maligna que deu abertura à série - e que vamos voltar a ver lá pelo episódio trezentos 😖 - já tem inúmeras hipóteses sobre o que vai acontecer, mas eu prefiro não esquentar a cabeça e assistir a parada de boas.

Sobre Mangás, muito recentemente tivemos a finalização de Aoharaido pela panini! Eu não tinha lido tudo online, então para mim foi uma coisa inédita. Dá uma deprezinha pensar que acabou, mas o bolso agradece! Ainda mais que a Nao aqui está sem emprego 👀. Triste, porém verdadeiro. De todos os lançamentos que estou acompanhando, Ajin e Noragami são os mais incríveis!! Há alguns dias vi que vai sair Owari no Seraph e já estou roendo as unhas de ansiedade - verídico! - o mercado brasileiro de mangás atualmente está muito satisfatório. Se a Panini relançasse Vampire Knight em edição de luxo como FMA eu infartava com certeza. (nem vamos comentar o final pouco convincente de VK, mas de todo o mais, adoro!).

Passei por uma overdose de KPOP e recomendo com toda a minha alma essa versão de I Like That do Sistar. É maravilhosa e bem mais atrativa que a original.

E eu ainda nem falei sobre o blog, não é? Tenho algumas expectativas para ele agora que eu tenho mais tempo e menos obrigações. Se tudo correr bem, as coisas vão caminhar em uma velocidade mais acelerada por aqui 😏. Então, é isso aí! Nos vemos em breve. bye-bye /o/