28 de out de 2016

Conto: Boneca de Almas

Porque eu tenho um medo terrível de bonecas. Principalmente as tipo bebê, e grandes. Se eu fosse a soberana do universo incineraria todas - inclusive depois de lembrar disso tenho que rever o post 5 coisas que me apavoramOlá, tudo bem? Eu estou mais ou menos - mais pra menos - minha licença médica termina hoje e eu já estou querendo me enterrar viva só de pensar que logo estarei naquele lugar de novo. O pior é que, dessa vez eu cheguei bem perto de considerar o uso de antidepressivos - isso que ainda nem estou lá trabalhando - o que é uma coisa que eu venho rejeitando há mais de dois meses. A medicação que me foi receitada não é tarja preta, ou seja, não é tão forte, mas na minha opinião tudo o que é feito pra te trazer felicidade vicia. E o vício é uma droga - falo porque tenho experiência nisso - é exaustivo, desgastante e na maioria das vezes sai caro.  Sem contar que qualquer tipo de medicação me dá um sono absurdo. Fico parecendo uma Narcoléptica, o que não é bom.


Esse é um conto bobinho que escrevi continuando a celebração desse mês de Halloween. Não ficou tãaao creepy, mas tem um enredo que me deixa meio perturbada - sinceramente gente - e espero que vocês gostem!


A cadeira de balanço reclinava para frente e para trás, o quarto submergido em um ranger sinistro e incômodo. A única residente do local não se importava com o barulho estridente, sua atenção voltava-se especificamente para o embrulho em seus braços.
A manta rosa tinha uma aparência confortável e fofa e sobresaindo-se dela uma pequena cabeça coberta por uma touca.
Ela iniciou uma cantiga de ninar. Mas esta, era incomumente sombria.
De seus olhos, lágrimas saíam vagarosamente.
Duas batidas foram dadas na porta antes que uma bela moça de jaleco branco entrasse com uma bandeja de alumínio nas mãos.
- Bom dia Anna - ela sorriu enquanto pousava a bandeja em uma pequena mesa ao lado da cama - Como está a pequena Lucinda hoje?
- Ela não se mexe - a cadeira parou abruptamente.
A enfermeira lhe lançou um olhar cheio de pena.
- É porque ela é uma boneca, querida.
- Não. É porque ela está com fome.
A enfermeira sentiu um calafrio enquanto a jovem levantava-se da cadeira ainda admirando a boneca.
- É... É mesmo?
- Sim, ela me disse.
- Disse a você? Quando?
Depois de alguns segundos em um silêncio perturbador a jovem respondeu em um sussurro:
- Agora.
A enfermeira não percebeu que estava recuando até suas costas baterem na parede. Anna começou a desenrolar a boneca.
- Você vai ter que me ajudar com isso Rose.
- Como sabe meu nome? - Ela sentiu um desespero tomar conta de si.
A luz oscilou enquanto outro sussurro ainda mais sombrio partiu da jovem Anna.
- Ela me disse.
Com a boneca totalmente desenrolada Anna caminhou lentamente até Rose com ela esticada para frente.
- Olhe nos olhos dela, você não sentirá nada. Eu prometo.
Por puro instinto, Rose espremeu os olhos e tentou gritar, mas sua voz não saía. Estava aterrorizada. Mais uma vez, Anna começou a cantar. Rose sentiu-se misteriosamente sendo obrigada a abrir os olhos. Como se mãos estivessem forçando suas pálpebras.
Olhos de vidro a observavam de volta. Até ela se perder na escuridão.

Naquela tarde Rose foi encontrada morta, vítima de um ataque cardíaco. A única coisa incomum era que as íris de seus olhos haviam desaparecido, deixando apenas os globos oculares completamente brancos.

Dias depois Anna observava os portões do sanatório.
uma figura masculina parou ao seu lado. Ele tinha uma prancheta nas mãos e usava jaleco branco.
- O que você tanto olha Anna?
- Lucinda disse que logo vamos sair daqui.

No dia seguinte Anna teve o mesmo fim da enfermeira Rose.
A boneca foi encontrada junto a um bilhete: "Olá, meu nome é Lucinda. Você que vai ser a minha mamãe, cuide muito bem de mim. Ou então irei... Devorá-la."

Nos olhos de vidro da boneca estavam vários reflexos de pessoas. O mais nítido, era o rosto de Anna.


• Este conto não foi revisado, então perdoem qualquer erro ou incoerência (estou sem tempo!).
• Não consegui postar tudo o que eu queria com esse tema, mas está tudo anotadinho para o ano que vem.
• Conto postado apenas aqui por enquanto! Se for postar em outro lugar deixo o link aqui.
• Possivelmente farei mais dois posts daqui até o dia 31.
• E não vamos esquecer do layout de novembro no dia 02. Fiquem de olho!
• Adoro vocês! Bjiiinhooos.

4 comentários

  1. Oooi, Nao! o/

    Ah, eu queria ter comentado os outros posts mas não deu tempo. ;-;
    Eu realmente não sei pelo que você tem passado, mas desejo melhoras e fico aqui mandando energias positivas, viu? <3

    Engraçado, eu nunca tive esse medo de bonecas, mas conheço muita gente que tem. Mas concordo que são bem creepy aquelas com olhos de vidro que parecem reais e tal, e principalmente aquelas que tocam músicas.

    Sobre o conto, MEDO hashUHSUAHS Sério, adorei, ficou bem escrito e bem assustador. Fiquei imaginando todas as pessoas que já tiveram a "alma" devorada pela Lucinda (um nome fofo para um ser tão horrível, apesar de o início lembrar "Lúcifer" - teve alguma coisa a ver com isso a escolha do nome dela?). Aliás, o conto me lembrou muito do curta-metragem Alma, que é um dos meus curtas favoritos, by the way. <3

    Beijos! o/

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    1. Heeyo ^^
      Obrigada pela força, energias positivas sempre são bem-vindas \o/

      Eu não sei dizer quando ao certo eu fiquei com esse pavor de bonecas - como uma menina normal, eu tive muitaaas - mas hoje por exemplo, eu não consigo dormir no mesmo cômodo que uma. Sinto como se ela ficasse me olhando, esperando eu dormir pra passar a mão no meu cabelo O.o

      Que bom que gostou do conto! Eu escrevi ele tão rapidinho que nem tive tempo de reler umas dez vezes pra ver se precisava mudar alguma coisa. Sobre o nome da boneca, foi uma homenagem - meio macabra - à personagem Lucinda de Fallen.

      Não conheço esse curta, mas vou procurar para assistir - e depois não conseguir dormir heuehuehueh

      Bjoooos! ♥

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  2. Aliás, gostosuras ou travessuras? ~ ashuashuahshaus

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